Debate sobre Religião e Ecologia (19 jun. ’18)

No próximo dia 19 de junho, pelas 21h15, realiza-se no Auditório Municipal Fernando Piteira Santos, em Amadora, uma sessão de debate sobre o papel e a intervenção do pensamento religioso na ecologia, com a presença de líderes e/ou representantes religiosos.

Nessa ocasião assinalamos o primeiro aniversário do Compromisso pela Casa Comum e pela Ética do Cuidado, assinado em 2017, em Gaia, de forma transversal, pelas confissões religiosas representadas no nosso país.

Os signatários de Gaia vão receber uma versão fac simile do referido documento e todos os outros representantes de confissões ou grupos religiosos que estejam presentes serão convidados a subscrever o Compromisso.

Esta iniciativa insere-se no projeto O Mundo na Amadora – Religiões e Culturas em Diálogo, uma parceria entre a autarquia local e a Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona.

Compromisso pela Casa Comum e pela Ética do Cuidado

Sendo certo que as influências tradicionais nos moldam o olhar e consequentemente o modo como vivemos, existe uma ligação fundamental entre o que fazemos e o que isso faz ao Planeta, ou seja, à “casa que é comum” que, longe de ser uma qualquer propriedade ou recurso de quem quer que seja, é acima de tudo a condição de possibilidade de existirmos, vivermos e aprendermos a cuidar.

Assim, e dada a interdependência fundamental da Vida, vislumbra-se a necessidade de uma revolução cultural que transforme o homem velho, desatento e pretensioso, num sujeito ecológico que entende e experiencia o ethoscomo morada global.

Carecemos de uma sabedoria da “casa comum”, onde as realidades surgem tais como são, sendo a Ecologia esse mesmo “estar”.

Além do estudo de uma rede natural de vida e da revisão do lugar do homem na Natureza, precisamos de (re)encontrar o lugar da Natureza no humano.

É isto que significa ser humano: estar em relação e interdependência, ser no mundo e com o mundo.

Tradições religiosas diferentes abordam de forma diversa as mesmas preocupações perante alterações ambientais radicadas em práticas que contrariam os equilíbrios dos ecossistemas.

Comprometemo-nos a tudo fazer para inverter práticas depredatórias, promovendo uma compreensão ecológica associada a valores éticos.

Sendo imperioso e urgente cultivar o sentido da sabedoria fraterna e da compaixão consciente, implicamo-nos na ultrapassagem de apegos redutores que produzem práticas egoístas.

Assumimos a vontade, perante nós mesmos e todo o colectivo, de juntar as nossas vozes para que TODOS e cada um, pessoal ou institucionalmente, cooperem pela paz radicada na Compaixão por toda a vida planetária, de modo a que seja estabelecido um programa ecológico eficiente, pleno de impulso fraterno e sustentabilidade verdadeiramente integral.


Gaia, 14 junho, 2017